Apesar da definição do objeto de estudo da ciência psicológica, este mesmo objeto tem sido entendido de formas diferentes, o que dá origem a diversas teorias e abordagens:
v BEHAVIORISMO OU COMPORTAMENTAL (1913)
A teoria behaviorista teve como fundamento a teoria de condicionamento clássico de Ivan Pavlov, baseada na abordagem conexionista de aprendizagem. Segundo Pavlov, diante de um estímulo sensorial surgem reflexos, reações inatas. Considera que o organismo está dotado de uma série de respostas que, diante de uma estimulação adequada conduzem esse organismo a uma ação.
O Behaviorismo renega os fatores internos e entende que o comportamento deverá ser o objeto de estudo, visto como um fenômeno observável diretamente e explicável como mera resposta do organismo a estímulos ou modificações ambientais. Conseqüentemente, a partir do conhecimento dos estímulos, as respostas podem ser previstas e, dada uma resposta, pode se identificar o estímulo atuante. Todo estímulo serve como reforço para manter ou eliminar um determinado comportamento. A principal área de aplicação dos conceitos apresentados tem sido a educação. São conhecidos os métodos de ensino programado e o controle e organização das situações de aprendizagem bem como a elaboração de uma tecnologia de ensino. Outras áreas também têm recebido a contribuição: treinamento de empresas, a clínica psicológica, o trabalho educativo de crianças excepcionais, a publicidade.
v GESTALT
Reagindo à posição behaviorista, desenvolveu-se a partir da 2ª década do séc. XX, na Alemanha, um movimento crítico-experimental, que considerou a percepção o fenômeno unitário e global, do conhecimento e não uma síntese de sensações experimentais pelos vários sentidos. Entre o estímulo que o meio fornece e a resposta do indivíduo encontra-se o processo de percepção. A configuração ou o “todo” de uma situação seria percebido inicialmente, e, só por decomposição ou análise é que atingiríamos o conhecimento das partes, as quais só tem significado dentro e em relação ao todo a que pertencem. Portanto, a vida mental, não é somente a soma de partes elementares e sim a interpretação da situação através da percepção das relações dos elementos. A pessoa, no seu processo de conhecimento, não interpreta o que ocorre em função de uma simples adição de elementos e sim em função de uma estrutura total organizacional.
A contribuição da Gestalt encontra-se principalmente na Publicidade e na Psicologia Social. Kurt Lewin criou o conceito de campo social formado pelo grupo e seu ambiente. O tipo de liderança no grupo irá determinar o desempenho do grupo.
v PSICANÁLISE
Teoria psicológica oriunda da Psiquiatria, criada por Freud (1856-1939), a qual admite que todo e qualquer comportamento é a expressão do inconsciente. Todo “ato” tem um sentido, mesmo o mais banal. A dificuldade consiste em compreendê-lo em relação à pessoa que o exterioriza. Assim, cada gesto, tique, esquecimento, lapso no falar ou no escrever diz algo da pessoa em que se manifesta. O método da Psicanálise é o interpretativo. O seu objeto de estudo é o inconsciente. Freud postula que “o inconsciente é a verdadeira realidade psíquica, sua natureza é tão desconhecida para nós quanto à realidade do mundo externo e se apresenta de modo tão incompleto pelos dados da consciência quanto o mundo externo pelas comunicações dos nossos órgãos de sentido”. O comportamento é sempre uma expressão dos conflitos entre conteúdos inconscientes, que foram reprimidos, recalcados em decorrência do mecanismo de censura interno (próprio sujeito) e a demanda do ambiente ou do próprio sujeito.
Tais descobertas constituíram a base principal da compreensão das neuroses e impuseram uma modificação do trabalho terapêutico. A função primordial da psicoterapia psicanalítica é buscar a origem do sintoma ou do comportamento manifesto ou do que é verbalizado. Para isto é necessário vencer as resistências inconscientes do sujeito, que impedem o acesso ao inconsciente. O método para atingir esses objetivos é o da interpretação dos sonhos, dos atos falhos (os esquecimentos, as substituições da palavra, etc.) e as associações livres. Em cada um desses caminhos de acesso no inconsciente é a história pessoal que conta. Cada palavra, cada símbolo tem um significado particular para cada sujeito.
É comum imaginarmos a Psicanálise acontecendo num consultório com um paciente deitado num divã. Porém, coexistindo com isto, é possível observar o esforço de estudiosos no sentido de ampliar o raio de contribuição da Psicanálise aos fenômenos de grupos, às práticas institucionais e compreensão de fenômenos sociais, como a violência e a delinqüência, por exemplo.
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