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Textos

A CONSTITUIÇÃO DO SUJEITO
    Antes do nascimento de um bebê já existe uma expectativa com relação a ele, expectativa que muitas das vezes não está clara, está encoberta por um sentido que é possível naquele momento de vida do casal ou de uma mulher.          Esse bebê vem revestido e investido de modelos e esperanças. Isto está determinado pelo lugar que os pai destinam ao futuro bebê. É algo que pode ser escutado a partir da escolha do nome, das fantasias dos pais e, principalmente, do discurso engendrado em torno do bebê; discurso este, relacionado às gerações anteriores, à história da família. Esta pré-história que o antecede produzirá nele marcas constituintes de seu lugar na cultura, numa geração, numa família, ou seja, no simbólico.
    Ao nascer, o bebê está submetido à própria insuficiência psíquica, e orgânica. O nascimento do bebê não coincide com o nascimento do sujeito. Isso implica dizer que, de início, há somente um corpo “coisa”, o real de um aparato orgânico constituído por reflexos e automatismos fisiológicos.
    A questão do que é uma criança é dada a partir da possibilidade subjetiva dos pais em articular seus significantes pessoais na construção da imagem do futuro bebê. Em se tratando de humanos, é o Outro, através de seus representantes (mãe, pai, educadora, etc) que irá localizar o sujeito no campo da cultura humana.
    O desejo do Outro (mãe) que promoverá a criança do estado de objeto ao de sujeito. É necessário que o Outro lhe atribua um sentido Se as manifestações da criança fazem sentido para o outro isto implica que a criança é, de imediato, colocada num universo de comunicação, onde a intervenção do outro se constituirá como uma resposta a algo da demanda da criança. O outro, com isto, insere a criança num referencial simbólico, sujeitando-a aos seus próprios significantes. Ex: o nome dado a criança, como ela é reconhecida pelos pais. Quando a criança chora, a mãe é que nomeia você tem fome, está com cólica, quer colo, etc. Quando as primeiras manifestações da criança fazem sentido para o outro, a criança tentará uma comunicação através dessas manifestações, dará uma resposta à intervenção da mãe que chamamos demanda e esta é determinada pelo desejo da mãe.
    Os cuidados maternos, aparentemente universalizáveis (a alimentação, a higiene, etc) só tem importância na medida em que há uma particularização, na qual cada criança é marcada por um lugar específico do desejo da mãe. Nos primeiros meses de vida da criança, trata-se de uma fase que tem como característica um tipo de relação indiferenciada com a mãe, onde esta é que determina a imagem que a criança estrutura de si. Ordena-se essencialmente, a partir de uma experiência de identificação fundamental, durante a qual a criança faz a conquista da imagem do seu próprio corpo. A identificação primordial da criança com esta imagem irá promover a estruturação do Eu. Podemos observar o processo de identificação da criança quando é colocada em presença de outras crianças de sua idade: ela as agride ou as imita e tenta deste modo se impor a elas. Bate e diz que ela é que apanhou, vê cair e é ela que chora. É uma relação dual que se caracteriza pela indistinção, pela confusão de si mesma com o outro. É alienante pois não distinção em relação ao outro. Por uma parte, constitui o advento de uma unidade, o corpo. Por outra parte, ela determina uma alienação, uma subjugação à sua imagem, a seus semelhantes, ao desejo do outro. Por aí se dá a circulação dos afetos (amor, ódio, inveja, etc...) e as relações interpessoais como relações entre semelhantes.
    Indispensável se faz ter acesso ao simbólico, ser mediado por ele para que se efetue a ordenação do mundo, das coisas, dos seres, da vida. Isto se efetua com a entrada do pai (simbólico) na relação dual mãe e filho: priva a criança de ser objeto do desejo da mãe e a esta de ter o filho como seu objeto. A criança se depara com o interdito (que permite fundação da ordem simbólica) encontra a lei do pai. Para que o pai seja reconhecido como representante da lei é preciso que sua palavra seja reconhecida pela mãe. Só através desse reconhecimento é que fundamenta a lei simbólica da família. A lei torna-se, então, libertadora, pois, separa da mãe, dispõe de si mesmo, toma consciência do que deve fazer e se orienta em direção ao futuro. Insere-se no social, na cultura, na linguagem. Isto não garante que o sujeito permanecendo no simbólico não retome a essa relação imaginária. Ele não se apercebe de que os prenomes, títulos, papéis que ocupa, apenas o representam e tende a se identificar a todas essas máscaras.  
    A relação do homem ao homem, do si ao outro, é mediatizada por um símbolo. A existência do mediador é o que vai permitir a cada um referenciar-se na subjetividade distinta. A criança passa de uma relação imediata e sem distância com a mãe para uma relação mediata, graças à sua inserção na ordem simbólica da família. A instituição familiar distingue pais e filhos , dá-lhes nome e lugares de sujeitos singulares. É a partir do simbólico e da singularização deste na constituição do mito familiar, dos dizeres que atravessam gerações, que os pais irão ordenar um lugar para o sujeito em questão.
    “É parecido com papai”, “Tem o gênio da mamãe”. Cabe ainda ao sujeito a tarefa de constituir sobre esses significantes a sua versão particular, o que implica dizer que há uma retomada singular dos significantes do Outro por parte do sujeito.

Ana Maria Ferreira da Silva.

                                                                  

                                                                    Estudo Dirigido

1-    Qual o objetivo da Psicologia?
2-    Cite três áreas de atuação da Psicologia na sociedade.
3-    Quais as três teorias mais importantes da Psicologia?
4-    Qual é o objeto de estudo e o método de investigação do Behaviorismo?
5-    Qual é a crítica que a Gestalt faz ao Behaviorismo?
6-    Explique segundo o Behaviorismo:
a)S-R
b)R-S
7-    Qual é o objeto de estudo e o método de investigação da Psicanálise?
8-    Defina o inconsciente.
9-    Quais são os meios de manifestação do inconsciente?




SEXUALIDADE

     O corpo que interessa à Psicanálise é o corpo enquanto linguagem, o corpo que fala de uma subjetividade própria de cada sujeito.
     O animal vive numa paz sexual pois conta com um saber suficiente – o instinto. O homem carece de um dispositivo semelhante. A suposta harmonia do instinto animal ou do saber natural não mais vigora a partir do momento em que se põe a existência da linguagem.
     “Ser homem” ou ser “ser mulher” são coisas que não estão decididas de antemão; exigem, pelo contrário uma decisão sobre a significação não apenas do próprio corpo, como da diferença dos sexos. Ser homem ou ser mulher passa a ser uma construção psíquica essencial que virá apontar um sujeito sobre o qual o efeito do significante fálico fará instaurar uma divisão entre a posição masculina e uma posição feminina.
     Freud, em sua obra Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, escrita em 1905, mostra que a sexualidade ocorre nas crianças desde o seu nascimento, e que a prática sexual entre os adultos pode ser bem mais livre do que supunham os teóricos moralistas do começo do século. Até então, a puberdade era considerada o início da vida sexual porque é na faixa etária é que aparecem os caracteres sexuais secundários, como os pelos pubianos, a menstruação, e o crescimento dos seios nas meninas, e o engrossamento da voz, o crescimento de pelos no corpo nos meninos. É também nessa fase que aparece o interesse o interesse sexual no sentido genital.
     Mas o psicanalista tem outra visão da sexualidade. O corpo freudiano é constituído de uma anatomia imaginária, recortada pela sexualidade, constituído por zonas erógenas determinadas pela pulsão cuja meta é a satisfação. A pulsão é um conceito situado no limite entre o corpo e o psiquismo. Seus objetos podem ser de diversas espécies. Ex: objeto oral – o seio, o nada (anorexia nervosa), objeto anal – o excremento, etc. Qualquer parte do corpo pode assumir uma significação que sendo sexual seria exclusiva dos genitais para as ciências biológicas.
     Qualquer investimento em um objeto fora do nosso corpo, em um outro sujeito, em um objeto propriamente dito, em um investimento profissional trata-se de um investimento pulsional, ou seja, sexual, na medida em que busca também o prazer, a satisfação. A energia sexual é a que utilizamos para tudo – para trabalhar, fazer amizade, estudar, etc. Desde o nascimento, o sujeito busca satisfação no contato com os objetos. O primeiro objeto de satisfação é o seio, ao mesmo tempo em que sacia a necessidade biológica da alimentação produz uma satisfação. Ao longo do desenvolvimento outros objetos vão sendo escolhidos como uma forma de atingir essa satisfação primeira. O outro a quem amamos é um objeto onde investimos libido – Por que investimos naquele objeto e não em outro? O motivo é inconsciente e diferem de pessoa para pessoa. Nós temos uma imagem inconsciente, formada, de nosso objeto de desejo e procuramos nos objetos do mundo algo que se assemelhe a ele. Quando o identificamos, investimos nele – nós o amamos. Muitas dessas experiências são recalcadas e isto é que faz com que não lembremos delas. A cultura e a educação exercem pressão para que essas forças pulsionais de ordem sexual só se manifestem através dos padrões socialmente aceitos. A civilização consegue essa façanha impondo normas e proibições. O casamento monogâmico, as restrições na escolha dos parceiros, as restrições sexuais impostas às crianças são exemplos dos mecanismos que a civilização criou para obter energia para manter-se enquanto civilização. Freud chega mesmo a dizer que o homem, em determinado momento de sua história enquanto espécie, trocou o prazer pela segurança. A este mecanismo de desvio da energia sexual para afins não sexuais e importantes, do ponto de vista social, chamamos sublimação.
     Com a chegada da puberdade/adolescência começam as transformações que levam a vida sexual infantil, predominantemente auto-erótica, à busca de um objeto sexual como fim de satisfação.
     A adolescência é uma injunção no corpo que efetiva a possibilidade da procriação. Eis a repetição – um corpo reproduz outros corpos – é nessa via que se estabelece o eterno porvir das filiações.
     O sujeito é convocado a se posicionar segundo o tipo ideal do seu sexo (que nem sempre acompanha o anatômico). O modismo do “ficar” ao invés de namorar ilustra o quanto muitos adolescentes não conseguem suportar as frustrações necessárias, a manutenção de uma relação amorosa, como lidar com as questões que dizem respeito a procriação e a conseqüente assunção da paternidade ou maternidade. O jovem rapaz ver-ser-á pressionado pelo grupo e pelo seu próprio superego a ser forte, sensual, potente e experiente. A garota viverá o drama da virgindade, o medo da gravidez, a inexperiência sexual. Longe de ser somente uma etapa difícil, os amores que nascem na puberdade são reveladores do em passe da relação sexual: as idealizações em relação ao objeto são o inverso de um desejo ameaçador , aquele que enlouquece o sujeito na idade em que a ereção de um desejo desconhecido, secreto; nesse sentido, os amores dos adolescentes são efetivamente dramáticos.

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